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  • Foto do escritorFabrício Girão

Super Mario Bros.: O Filme supera trama simplista ao investir em ação e diversão

Animação que chega aos cinemas nesta semana é resultado de parceria entre a Nintendo e o estúdio Illumination, casa dos Minions.

Divulgação/Illumination

O histórico de adaptações de videogames em séries de TV ou filmes para o cinema não é exatamente dos melhores, mas 2023 pode representar uma virada importante nessa maré de adaptações ruins ou fracas. Depois da aclamação de The Last of Us, sucesso absoluto na HBO neste início de ano, os olhos se voltam para a Nintendo e para a Illumination, que assumiram a responsabilidade de adaptar o icônico Super Mario em um filme animado.


O projeto gerou curiosidade e empolgação não só por parte dos fãs de animação, mas também de uma legião de pessoas que jogaram os jogos do Mario em algum momento de suas vidas, seja os mais antigos ou os mais recentes. Mas indo ao que interessa: Super Mario Bros.: O Filme, que estreia nesta quarta-feira (04) nos cinemas, é intensamente divertido e cativa já nos primeiros minutos. É uma adaptação que respeita o material original e que consegue, de forma bem surpreendente, agregar diversos elementos que a franquia Mario construiu ao longo de décadas em um grande universo coeso, colorido e cheio de detalhes.



Dito isso, o filme também carrega o estilo Illumination de simplificar demais as histórias e não dar tanta atenção ao desenvolvimento da trama, com acontecimentos super convenientes se sucedendo sem muita explicação e alguns momentos exagerados cujo único objetivo parece ser se referir a algo dos videogames.


Divulgação/Illumination

Universo colorido


Super Mario Bros:. O Filme impressiona logo de cara pelo visual. A composição detalhada dos variados ambientes do longa cria um universo interessante e que instiga o espectador a querer ver mais, conhecer cada lugar mostrado ali. E é justamente na construção de mundo que a Nintendo e a Illumination aproveitam para encher os cenários de referências, easter eggs rápidos que só os olhos mais atentos e os fãs mais apaixonados vão identificar rapidamente.



Mas há outra camada de construção dessa nostalgia e dessa conexão com os videogames no filme: a trilha sonora. A forma com que a trilha integra alguns dos temas mais icônicos de diferentes games do Mario é muito inteligente, porque as músicas aparecem em momentos específicos, dentro dos temas criados para a animação. É uma sensação agradável, já que você está vendo uma cena, acompanhada com a trilha, e de repente as notas de uma música conhecida dos jogos aparece e casa perfeitamente com o momento.


Divulgação/Illumination

Jogando e assistindo


Outro elemento que se destaca bastante em Super Mario Bros.: O Filme é como o longa usa suas sequências de ação para evocar a sensação de estar jogando um game do Mario. O personagem corre, pula, entra em canos, tubos, derrota inimigos e coleta power-ups. Tudo isso de forma cada vez mais veloz, conforme ele vai dominando melhor suas habilidades. Essas cenas são muito empolgantes, porque é quase como ver o videogame ganhando vida.



Há que se fazer um destaque aqui para o temível Bowser, grande inimigo do Mario e vilão óbvio para essa adaptação. O personagem não só causa terror invadindo reinos e fazendo reféns, mas assume também uma faceta mais divertida e terrivelmente apaixonada por Peach. Ele rende algumas das melhores risadas do filme e o embate com o Mario também é memorável.


Divulgação/Illumination

Tropeço na narrativa


A parte decepcionante de Super Mario Bros.: O Filme fica por conta da narrativa muito simplista, que não acompanha a empolgação do visual e da ação. Não é defeito algum apostar em uma trama mais simples, mas o que acontece aqui é que o enredo e o desenvolvimento do filme são excessivamente básicos. A impressão que fica é que o roteiro foi costurado a partir de escolhas de elementos que obrigatoriamente tinham que ser apresentados, como o momento Mario Kart, ao invés de partir de uma história um pouco mais elaborada.



Praticamente tudo na trama acontece de forma muito conveniente ou com ausência total de explicações, seja quando Mario e Toad decidem se aventurar juntos dois minutos depois de se conhecerem, seja quando a Peach decide confiar no encanador imediatamente depois de vê-lo pela primeira vez, ou em alguns outros momentos mais decisivos no clímax. Há, ainda, uma subutilização do Luigi. Ele é um ótimo personagem e tem sua importância na trama, mas fica de escanteio boa parte do filme.


Divulgação/Illumination

Aposta na diversão


Mesmo que apresente esses problemas na construção da trama, Super Mario Bros.: O Filme triunfa porque é inegavelmente divertido. Os personagens são cheios de carisma (destaque para a excelente dublagem de Raphael Rossatto como o protagonista), a maioria das piadas são inteligentes e não desrespeitam uma das maiores propriedades intelectuais da Nintendo e, quando o filme precisa empolgar, ele reúne os elementos que consagraram o Mario por décadas e entrega.


Ver Mario, Luigi, Peach, Toad e Donkey Kong reunidos, trabalhando juntos, enfrentando os inimigos, usando poderes e criando o que parece ser um videogame ganhando vida é motivo mais do que suficiente para conferir o filme animado. Super Mario Bros.: O Filme pode ter seus problemas, mas é uma boa adaptação para um personagem e uma franquia marcantes.



Super Mario Bros.: O Filme

Ano: 2023

Direção: Aaron Hovarth, Michael Jelenic

Elenco: Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Charlie Day, Jack Black, Keegan Michael-Key e Seth Rogen.


Com ótimas cenas de ação, um visual de encher os olhos e personagens carismáticos, Super Mario Bros.: O Filme supera narrativa fraca e diverte, e muito.


Nota: 3.5/5

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