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  • Foto do escritorFabrício Girão

Crítica: Morte no Nilo apresenta mistério envolvente, mas lento

Novo filme da 20th Century Studios continua a história do detetive Hercule Poirot, que desta vez procura respostas para um assassinato em um navio no Rio Nilo.

Divulgação/20th Century Studios

Você é uma jovem com riquezas de perder de vista, acabou de casar com o amor da sua vida e está comemorando o matrimônio em luxuoso hotel às margens do rio Nilo, no Egito. Como convidados da festa, amigos e família, incluindo a madrinha que odeia tudo que você representa, o primo ganancioso que administra suas finanças e até a ex-namorada do seu noivo, que ele deixou para ficar com você.



É nesse cenário meio caótico e de ameaças veladas que Linnet Ridgeway (Gal Gadot) se vê inserida. Ela confessa ao detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh), dono de uma fama que o acompanha, que não se sente segura entre seus próprios convidados, especialmente perto de Jacqueline de Bellefort (Emma Mackey), antiga amiga e ex-namorada de seu marido, Simon Doyle (Armie Hammer). Jacqueline não superou o término e esteve seguindo o casal durante toda a lua de mel, os observando de longe e fazendo questão de que eles saibam que ela está sempre lá.


O casal e poucos dos convidados decidem viajar no Nilo a bordo do S.S. Karnak, um luxuoso navio que desce o rio, se afastando dos problemas da terra firme. Mas quando um assassinato é cometido a bordo, todos se tornam suspeitos. É partir daí que a trama de Morte no Nilo, adaptação do livro de mesmo nome escrito por Agatha Christie, começa a se desenrolar, com Poirot buscando respostas antes que o assassino faça mais vítimas.


Divulgação/20th Century Studios

Preparando o cenário


Antes de chegar no assassinato e até mesmo no Egito de fato, Morte no Nilo toma um longo tempo para estabelecer um pouco do passado de Poirot, bem como o que ele está fazendo no presente. Também no início da trama, o longa se dedica a construir o triângulo amoroso entre Linnet, Simon e Jacqueline. É inegável que essas são construções muito importantes para a história, só que elas acabam durando bem mais que o necessário.



Essa lentidão na construção da trama que vai levar ao assassinato e no estabelecimento de cada um dos personagens, os principais suspeitos, é um problema que prossegue durante a primeira hora de filme. É claro que em uma história com mais de uma dezena de personagens, que têm ligação direta com a narrativa principal, é justificável que o filme tomasse mais tempo para minimamente apresentar cada um. Mas ele acaba gastando mais minutos do que o necessário fazendo isso, ao mesmo tempo em que nunca realmente se aprofunda em cada personagem.


Ao saber que algo muito mais interessante se aproxima na narrativa, o ritmo lento do início traz uma sensação de que essa parte verdadeiramente boa nunca chega, causando uma impressão de tédio constante.

Divulgação/20th Century Studios

Engatando a história


Quando, enfim, os personagens já se encontram a bordo do Karnak, e acordam para descobrir que um deles foi assassinado durante a noite, Morte no Nilo começa a ganhar força. A partir do momento em que Poirot se coloca na tarefa de desvendar o caso, o filme se transforma em algo muito mais interessante, com uma atmosfera de perigo constante marcada por um ritmo mais intenso de revelações, reviravoltas e muito suspense.



Aqui, o elenco (largamente marcado por figuras problemáticas e/ou polêmicas) consegue mais espaço para brilhar. Colocando uma intensidade ameaçadora que mascara um sofrimento intenso, Emma Mackey é o principal destaque como Jacqueline de Belleforte. Annette Bening não precisa fazer muito como Euphemia Bouc para chamar atenção, mas o pouco que ela faz é ótimo.

Divulgação/20th Century Studios

Mistério empolgante


É fato que Morte no Nilo leva muito mais tempo que o necessário para estabelecer todos elementos que levarão ao assassinato destacado no título mas, uma vez que Poirot começa a descobrir quem verdadeiramente são os passageiros do Karnak, e que segredos ele escondem, torna-se quase impossível não se empolgar com os desdobramentos do mistério.


A partir da metade, o filme segue em uma crescente constante, marcada por diversas viradas na trama, até o final que certamente deixará até os melhores detetives surpresos. A espera para o desenrolar da história requer paciência, mas ela termina por ser recompensada com uma narrativa satisfatória.



Morte no Nilo


Ano: 2022

Direção: Kenneth Branagh

Elenco: Gal Gadot, Kenneth Branagh, Emma Mackey, Armie Hammer, Annette Bening, Tom Bateman e Letitia Wright.


Morte no Nilo leva mais tempo que o necessário para preparar o cenário e engatar seu mistério, mas quando os suspeitos começam a ser encurralados, é difícil não se empolgar.


Nota: 3.5/5

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