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  • Foto do escritorFabrício Girão

Thor: Amor e Trovão pesa a mão no humor, mas ainda entrega aventura com coração

Taika Waititi repete a fórmula Thor: Ragnarok, mas com excessos, enquanto Chris Hemsworth, Christian Bale e Natalie Portman brilham em seus personagens.

Divulgação/Marvel Studios

A única forma possível de começar essa crítica de Thor: Amor e Trovão, novo longa da Marvel Studios que estreia nesta semana nos cinemas, é deixando algo muito claro: eu amo Thor: Ragnarok. Eu amo como Taika Waititi tirou o personagem que tinha os piores filmes do MCU da mesmice e deu a ele uma aventura com identidade própria, tanto no tom bem-humorado quanto nos visuais divertidos. Amo como o diretor usa a comédia pra mostrar que nem todo filme de super-herói precisa se levar a sério demais.


Dito isso, Thor: Amor e Trovão tenta reproduzir o que deu tão certo no filme anterior, à medida que traz novos elementos para a mitologia do herói e para o MCU como um todo. Nem sempre o filme acerta, principalmente porque pesa demais a mão na comédia e porque demora até estabelecer de fato a história que vai contar. Mas quando consegue firmar os dois pés no chão, ele mostra que também tem o que foi uma das maiores qualidades de Ragnarok: a capacidade de entender quem são seus personagens e dar a eles grandes momentos.



Thor: Amor e Trovão é uma aventura divertidíssima cheia de cores, ótimas cenas de ação e muita música. O aguardado retorno de Natalie Portman como Jane Foster (e então como Poderosa Thor) e a adição de Christian Bale como Gorr, o Carniceiro dos Deuses, tornam esse capítulo da saga do Deus do Trovão ainda mais empolgante.


E, claro, Chris Hemsworth está mais uma vez ótimo como o protagonista. Quase uma dezena de filmes depois, a atuação dele como Thor sai meio que no automático. Mas o carisma e a presença que fizeram dele uma grande escolha para o personagem continuam muito presentes, e muito fortes.


Divulgação/Marvel Studios

Começo estranho


O início de Thor: Amor e Trovão é a parte mais fraca do filme e, por consequência, a que apresenta mais problemas ao longo das quase duas horas de duração. Isso acontece, em parte, porque o filme tem a tarefa ingrata de preparar o terreno a partir de vários elementos, como a contextualização de onde o Thor está e o que está fazendo desde os eventos de Vingadores: Ultimato; a apresentação de quem é Gorr, o Carniceiro dos Deuses, e porque ele é uma ameaça que deve ser levada muito a sério e a reapresentação de Jane Foster e a explicação de como ela se torna a Poderosa Thor.


Ao tentar estabelecer a história levando tudo isso em consideração, o filme se apressa, se atropela, e começa de forma bastante truncada. Quando tudo fica bem definido, o que leva uma parcela de tempo considerável para acontecer, Thor: Amor e Trovão enfim engata, empolgando mais à medida que a história avança.


Divulgação/Marvel Studios

Comédia até demais


Taika Waititi fez um baita de um trabalho em Thor: Ragnarok, ao trazer o herói para a comédia, fazendo graça dele mesmo e tirando o peso desnecessário dos dois primeiros filmes do Deus do Trovão, que se levam a sério até demais. Isso não tornou o Thor bobo ou diminuiu o personagem, na verdade, deu mais personalidade tanto ao deus quanto ao próprio filme. É entendível então, que a fórmula do que deu tão certo em Ragnarok seja replicada em Amor e Trovão. É uma pena, no entanto, que ela não seja tão eficiente aqui.



Ao balancear tão bem comédia, ação e aventura em seu último filme na Marvel, Taika chega na nova produção imprimindo ainda mais de seu estilo, o que acaba funcionando como um todo, mas não de forma tão refinada quanto em 2017. A grande razão para isso é que o diretor pesa a mão no humor, abusando de piadas forçadas e situações cômicas desnecessárias que acabam atrapalhando a experiência.


Thor: Amor e Trovão tem vários momentos genuinamente engraçados, daqueles de se rir alto mesmo. Só que eles estão diluídos nas várias tentativas do filme em fazer o espectador rir, e que nem sempre funcionam. Por anos, algumas críticas apontaram que a Marvel diminuía os dramas e os conflitos de seus filmes com piadas excessivas. Isso nunca particularmente me incomodou, pelo menos não até Thor: Amor e Trovão.


Divulgação/Marvel Studios

Aventura com coração


Mesmo com esses deslizes citados acima, Thor: Amor e Trovão ainda consegue entregar uma experiência empolgante. O filme transborda coração, seja na direção apaixonada de Taika Waititi, no carisma de todos os personagens em tela, ou no centro dos conflitos emocionais da trama. O reencontro entre Thor e Jane Foster é doce e a relação entre eles é a maior força do filme. Christian Bale passeia entre o ameaçador e o caricato com seu Gorr, nunca deixando de ser interessante e de comandar a atenção em cena, e Rei Valquíria e Korg trazem momentos mais leves para a missão do grupo.


Ter personagens tão carismáticos interpretados por atores de alto calibre certamente eleva o filme, deixando-o mais interessante do que o que suas fraquezas indicavam. Nós não só vemos outro lado de Thor, tentando entender qual o papel dele no cenário atual de Nova Asgard, mas a apresentação e o arco narrativo da Poderosa Thor complementam a história de forma muito satisfatória.



É maravilhoso ter Natalie Portman de volta. Jane Foster não só finalmente recebe toda atenção e destaque que sempre mereceu, como a atriz entrega tudo como a heroína que enfrenta duas batalhas muito distintas, mas igualmente dolorosas. Não é que Jane precisasse se tornar uma heroína para ter valor dentro da franquia (o filme inclusive discute isso diretamente), é que os outros filmes nunca souberam explorar o potencial dela como uma das principais cientistas do mundo.


Chris Hemsworth dispensa elogios, já que sempre mandou bem em externar os conflitos do Deus do Trovão, sempre em dúvida e inseguro de certa forma. Ele esbanja a imponência e a personalidade amigável do deus sem esforço e é sempre ótimo vê-lo no personagem, por quem ele sempre demonstrou muito carinho.


Divulgação/Marvel Studios

Muito amor


Thor: Amor e Trovão é uma aventura emocionante com coração enorme. Ainda que erre ao tentar estabelecer a trama e ao não saber balancear o próprio tom, Taika Waititi entrega mais uma ótima aventura do Deus do Trovão, fazendo bom uso do excelente elenco ao seu dispor. Cenas de ação bem construídas, um vilão interessante e a química entre os personagens fazem tudo valer a pena.



Thor: Amor e Trovão

Ano: 2022

Direção: Taika Waititi

Elenco: Chris Hemsworth, Christian Bale, Natalie Portman, Tessa Thompson, Taika Waititi e Russell Crowe.


Thor: Amor e Trovão demora para engatar e desliza ao pesar a mão no humor, mas ainda entrega uma aventura emocionante e com coração de sobra.



Nota: 3.5/5

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