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  • Foto do escritorFabrício Girão

Resistência: Crítica do Almanaque Disney

Gareth Edwards constrói universo rico para narrar conflito entre humanos e máquinas em uma luta final pela sobrevivência.

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Ao final das mais de duas horas de Resistência, novo filme de ficção científica dirigido por Gareth Edwards (Rogue One: Uma História Star Wars) e que chega aos cinemas nesta semana, só conseguia pensar em como gostaria de poder conhecer mais daquele mundo tão cuidadosamente criado. E, depois de assistir algo no cinema, ficar tão envolvido a ponto de a curiosidade pedir por mais é um dos maiores elogios possíveis, penso.


É que Resistência se vale de uma premissa muito simples. As máquinas criadas pelos humanos para serem seus escravos robóticos pensam, e portanto querem liberdade. Os humanos, por sua vez, querem agora exterminá-las. Só que é como o cineasta britânico imagina esse futuro de guerra pela sobrevivência e como ele aproxima a humanidade das máquinas, em semelhanças, costumes, desejos e força, que fazem do filme uma reflexão muito poética sobre o que é estar vivo.



Tudo isso é impulsionado pela interpretação emocionante de Madeleine Yuna Voyles como a pequena Alphie, que não só é o centro narrativo da trama, mas também o grande coração do filme. Com Joshua, John David Washington cria um protagonista fácil de se relacionar, mas são as trocas entre ele e Alphie que realmente humanizam o filme, que justamente tem a humanidade como foco.


Divulgação/20th Century Studios

Resistência também esbanja engenhosidade visual, seja no design inspirado dos seres mecânicos, nos conceitos que apresenta e que enriquecem o mundo criado e na fotografia que realça os tão belos cenários.


Mas é na condução da narrativa, com os humanos e os robôs lutando pelo que entendem ser sua última chance de sobrevivência, que Gareth Edwards se debruça sobre as discussões inerentes à condição do que é ser humano, do propósito, do caminho, do que pode vir depois de tudo. Com as máquinas defendendo seu destino de apenas ser, o cineasta brinca com os limites do que significa estar vivo, e o que isso representa para as duas espécies.



Resistência é um filme como pouco se vê atualmente. Para além de ter um claro interesse em narrar uma épica história ambiciosa com ótimas cenas de ação e efeitos visuais de ponta, ele também apresenta uma trama muito íntima em termos da relação entre os protagonistas e o ambiente ao redor deles, transformado ativamente pelas escolhas que fazem. É, sem dúvidas, um dos melhores do ano.


Resistência

Ano: 2023

Direção: Gareth Edwards

Elenco: John David Washington, Madeleine Yuna Voyles, Gemma Chan, Allison Janney e Ken Watanabe.


Gareth Edwards cria sci-fi cheio de vida, que discute tudo que há de mais humano.




Nota: 5/5

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