Toy Story 5 tem aventura com forte impacto emocional ao colocar Jessie no centro da história - Crítica do AD
- Fabrício Girão

- há 22 horas
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Franquia retorna depois de sete anos com o pretexto de discutir o impacto das telas nas vidas das crianças, mas vai além ao trazer Jessie como protagonista.

Poucas franquias geram tanta desconfiança quando um novo projeto é anunciado como Toy Story. Não que o histórico não seja excelente, com todos os 4 filmes estando entre as animações mais aclamadas da história, mas o final do terceiro filme ainda é capaz de provocar essa discussão. Muita gente acha que a história deveria ter se encerrado em 2010 com Toy Story 3 e tudo bem, é realmente um grande filme.
Só que Toy Story 5, que chega aos cinemas nesta semana, é mais uma prova de que essa franquia não só opera num nível muito mais alto do que qualquer outra franquia de animação, mas também ainda tem histórias relevantes e emocionantes para contar, porque ainda existem crianças como a Bonnie que ainda precisam de seus brinquedos.
Toy Story 5 é uma aventura capaz de repetir o profundo impacto emocional dos anteriores ao colocar Jessie, uma das personagens mais interessantes da franquia, para ocupar o centro da história de uma forma que faz a vaqueira amadurecer à medida que oferece ao público reflexões valiosas sobre o impacto das telas e o valor das amizades que chegam ao fim. É um filme que tem o humor afiado do segundo e a emoção genuína do terceiro, o que resulta em um dos melhores capítulos da franquia.

Brinquedos vs. Tecnologia
Toy Story 5 se passa alguns anos depois de Toy Story 4. Bonnie está um pouco maior e os brinquedos dela precisam disputar a atenção da criança com Lilypad, um tablet moderno que monopoliza o tempo de Bonnie. Lilypad representa aparelhos eletrônicos, como celulares, tablets e computadores, que já começaram a invadir outras casas ao redor do bairro, mas que ainda não tinham sido um problema para Jessie, Buzz Lightyear e os brinquedos.
A chegada dos aparelhos eletrônicos diminui drasticamente o tempo que as crianças separam para a brincadeira e é a partir dessa ideia que a Pixar construiu toda a divulgação do filme. Tinha receio de como isso seria abordado de uma forma que não ficasse na discussão batida da tecnologia ser ruim, mas o resultado final tem bem mais nuances. Toy Story 5 faz uma defesa enfática de que excesso de telas de fato pode minar a criatividade e a imaginação das crianças, mas mostra caminhos possíveis para a convivência com a tecnologia.
Lilypad já chega como uma baita personagem por não ser parecida com nada que os brinquedos já tenham visto, e por não medir esforços para fazer o que ela acha que é o certo. Com cortes rápidos e sem muitos filtros com os brinquedos, o desenvolvimento dela surpreende.

Quando eu era amada
Ainda que a discussão sobre a tecnologia seja muito bem-vinda, a decisão mais acertada em Toy Story 5, que é uma jogada de mestre, é usá-la como gancho para criar uma jornada emocionante para Jessie que, ao se separar acidentalmente do restante dos brinquedos, acaba indo parar na casa de sua primeira dona, Emily.
Enquanto ela sente Bonnie cada vez mais distante e mais apegada a Lilypad, Jessie precisa confrontar os fantasmas do passado que se manifestam através de seus traumas de abandono e no medo de ficar sozinha e esquecida novamente. Ela se junta a um trio de brinquedos tecnológicos mais antigos, que inclui o hilário Amigo Rolinho, e precisa resolver os problemas de Bonnie à medida que descobre novas coisas sobre si.
Aqui preciso fazer um rápido desvio para comentar que o Amigo Rolinho tem algumas das cenas e falas mais insanas e engraçadas em toda a franquia Toy Story, com várias das piadas acenando diretamente para o público adulto. A escrita do personagem é bastante afiada e vai no limite do que poderia ser considerado demais para as crianças, trabalho finíssimo dos diretores e roteiristas Andrew Stanton e Kenna Harris.
Mas voltando para Jessie, a escolha de tê-la como protagonista faz todo sentido quando consideramos que ela foi nomeada xerife por Woody no fim de Toy Story 4 e que ela sempre foi uma das personagens mais amadas da franquia, mas sem um espaço de destaque considerável.
A jornada de Jessie é responsável por gerar os momentos mais emocionantes e surpreendentes de Toy Story 5, rapidamente a colocando no panteão de grandes acontecimentos da franquia. Sem entrar em spoilers, a boneca descobre mais de si, olha para o passado com os olhos da maturidade e entende como pode ajudar sua criança de uma maneira muito mais plena.

Amigo estou aqui
A escolha de dar o protagonismo para Jessie é ancorada num excelente uso que o filme faz de Woody e Buzz, que recebem importância o suficiente para fazer parte de momentos chave da nova história, sem nunca parecerem escanteados em favor de Jessie. Na verdade, tudo que eles fazem é por ela e a reunião do trio no terceiro ato é merecida.
Estou no time de quem gosta bastante de Toy Story 4, mas entendo que o filme deixa de lado muitos dos personagens para favorecer Woody, Garfinho e Betty. Em Toy Story 5, a história paralela do patrulheiro espacial e do caubói fortalece ambos os personagens porque Buzz está disposto a tudo para recuperar a vaqueira, o brinquedo com quem ele mais se importa, e Woody acredita que sua experiência de campo lhe faz mais apropriado para a missão. Eles obviamente brigam e a dinâmica entre os dois é maravilhosa.
E para quem reclamou do Buzz no filme passado, Toy Story 5 tem ainda uma história paralela com 50 Buzz Lightyears altamente tecnológicos que foram parar numa ilha deserta e que acabam cruzando o caminho dos outros brinquedos. Eu sei que lendo pode parecer insano, mas eles tem alguns dos momentos mais divertidos do filme e se juntam à história principal em uma boa sacada do roteiro.

Cinco vezes fantástico
Toy Story 5 é mais uma prova de que Toy Story é a melhor franquia de animação da história. É emocionalmente inteligente e impactante sem nunca deixar de ser divertido, e passeia entre o humor a emoção de uma forma que é invejável. A história de Jessie tem força e coração o suficiente para arrebatar o público e oferece à franquia um de seus melhores filmes.
Entre esse filme e Cara de Um, Focinho de Outro, lançado em março, 2026 será lembrado como um grande ano para a Pixar, que lançou dois de seus melhores filmes desta década um logo após o outro.

Toy Story 5
Ano: 2026
Direção: Andrew Stanton
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack e Greta Lee
A tecnologia coloca Jessie para encarar o passado e amadurecer junto com Bonnie em um dos melhores filmes da franquia.
Nota: 5/5





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